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Pronese e CFAC promovem capacitação para técnicos que assessoram MST

 O estado de Sergipe é o único do Brasil onde o Movimento Sem Terra (MST) aderiu ao Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). A decisão de participar desse Programa nasceu do diálogo maduro no início da gestão do governador Marcelo Déda em 2007. Estamos aprofundando com essa capacitação e entendendo como um programa complementar ao processo de reforma agrária” disse Reginaldo Almeida de Jesus, um dos dirigentes do MST durante o encerramento da capacitação realizada numa parceria entre a Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe (Pronese) e o Centro de Formação em Agropecuária Dom José Brandão de Castro (CFAC), dias 6 e 7 de novembro na sede do centro de formação do povoado Quissamã, em Nossa Senhora do Socorro.

Participaram da oficina de capacitação 22 técnicos do CFAC, de diversas áreas profissionais como técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, médicos veterinários, pedagogos, assistentes sociais e engenheiro civil, que atuam na prestação dos serviços de assistência técnica aos assentamentos organizados pelo MST. Para os realizadores, o objetivo é mostrar como funciona o Crédito Fundiário e capacitar os técnicos na elaboração de projetos e organização dos trabalhadores que tenham interesse em acessar os recursos do PNCF.

O diretor estadual do setor de Produção do MST, Manoel Antônio Neto, disse que no movimento existiam apenas dois técnicos para orientar na elaboração dos projetos para o Crédito Fundiário. “Em uma conversa com a Pronese construímos um canal de diálogo para fazer esse curso, indicando dois nomes por regionais, formando uma equipe com mais de 20 técnicos selecionados pela direção do MST, destacou Manoel”.

O dirigente, Reginaldo Almeida, disse que a adesão ao PNCF não descaracterizar o objetivo principal do MST que é de lutar pela reforma agrária por meio da desapropriação. “Nós pensamos que em Sergipe não existem muitas áreas a serem desapropriadas, por outro lado é grande a quantidade de famílias sem terra vivendo em acampamentos por quatro, seis e até 17 anos, como é o caso da Fazenda Tingui, em Malhador”.

“Temos desapropriação que não sai, temos também uma grande quantidade de municípios que decretaram estado de calamidade pública, o que impede o processo de desapropriação. Diante dessa realidade, então, o Programa de Crédito Fundiário é avaliado como uma alternativa de acesso à terra”, explicou o dirigente do MST.

Emocionado Reginaldo disse que “só tem algo a conquistar aquele que luta, aquele que luta lá na base e que sonha pela conquista da terra. Os técnicos e dirigentes do MST têm o objetivo de transmitir o conhecimento para os agricultores e fazer com que seus sonhos sejam realizados”.

“Em nome da direção do MST agradecemos, e temos a certeza que essa capacitação não para por aqui. Vamos aprofundar, vamos nos inteirar do Programa e fazer com que a reforma agrária em Sergipe cresça e cresça o mais rápido possível, com o progresso chegando na terra do agricultor”, finalizou Reginaldo.

O gerente da unidade técnica do Crédito Fundiário, Sérgio Santana, representando a diretoria da Pronese, disse que desde o início da gestão do governador Marcelo Déda, como foi testemunhado pelos dirigentes do MST, e agora na gestão do governador em exercício Jackson Barreto a determinação é fazer com que o maior número de famílias de agricultores tenham acesso à terra, à assistência técnica e aos investimentos de produção.

Ele disse que os grupos de agricultores formados pela Fetase, MST e demais Movimentos de Agricultores organizados podem encontrar na Pronese o canal de diálogo, de respeito e de apoio para suas lutas, em especial para participar do PNCF.

“Esse é o primeiro passo forte e concreto para começarmos uma nova fase de investimentos por meio do Crédito Fundiário. Hoje temos, pelos dados do MST, cerca de 10 mil famílias acampadas que são potenciais beneficiários deste Programa, e que passam a contar com o apoio de um grupo de técnicos capazes de orientá-los na elaboração dos projetos e acesso aos recursos do PNCF” disse Sérgio.

“Agradecemos pela hospitalidade do CFAC na realização desse treinamento, o qual estamos satisfeitos com resultado. Trouxemos aqui toda a equipe técnica do Crédito Fundiário. Fizemos questão de que a capacitação fosse feita pela própria equipe técnica do governo, que tem muitos anos de experiência operacionalizando este PNCF”, concluiu o gerente.

Agricultores do MST já beneficiados

Durante o encerramento do curso, o dirigente do MST, Reginaldo Almeida de Jesus, relatou que o governador Marcelo Déda foi o primeiro governador a entrar numa área de assentamento para entregar títulos de terra a agricultores do MST. Governadores anteriores, segundo ele, tratavam os acampados com violência, expulsando-os das terras com repressão policial. Ele lembrou da entrega da fazenda Umbuzeiro do Matuto, em Porto da Folha, quando 80 agricultores do MST, que viviam acampados por mais de cinco anos, receberam o título de terra das mãos do governador.

Pelos dados da Pronese, até hoje, a Unidade Produtiva do Umbuzeiro do Matuto foi a maior propriedade adquirida por meio do Crédito Fundiário. Doze propriedades já foram entregues a agricultores organizados pelo MST de Sergipe, totalizando investimentos da ordem de R$ 10 milhões de reais que permitiram o acesso de 252 famílias de sete municípios em 3.431 hectares.

São elas:

Japaratuba – Fazenda Boa Esperança
Itaporanga – Fazenda Xinduba
Lagarto – Fazenda Papagaio
Lagarto – Fazenda Miranda
Monte Alegre – Fazenda Poço dos Bois
São Cristóvão – Fazenda Bom Jesus
São Cristóvão – Fazenda São Francisco
São Cristóvão – Fazenda Novo Horizonte
Porto da Folha – Fazenda Umbuzeiro do Matuto
Porto da Folha – Fazenda José Elpidio
Porto da Folha – Fazenda Varzea do Campo
Porto da Folha – Fazenda Saco do Ouro

 

FONTE: SAGRI

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