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As redes sociais e a política

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Quando me pediram para escrever este texto sobre a importância das redes sociais em relação a política confesso que me veio uma tentação inicial de pesquisar e soltar números, estatísticas e encher este artigo de informações que poderiam embasar o leitor sobre a influência das redes sociais, não apenas neste ponto específico, a política, mas também na sua vida de um modo geral.

Após uma breve reflexão desisti.

Recordei de um livro que li há dois anos chamado “O cérebro político” do estadunidense e professor de psiquiatria Drew Westen – livro que todo político deveria ler – onde ele ensina cientificamente, auxiliado em suas pesquisas pelo neurocientista português Antônio Damasio, que o cérebro que decide o voto do eleitor é emocional e não racional.

Ele diz mais, “Nós não somos uma máquina de calcular” para explicar que quando bombardeiam nossos cérebros com números e estatísticas muito pouco se apreende no final da leitura ou de um discurso. Atentai políticos. E é verdade. Quer comprovar? Faça um teste.

Ao ouvir um longo discurso onde grandes quantidades de números e estatísticas forem lançados, anote alguns deles e ao final, pergunte a quem estiver ao seu lado se ele lembra de alguns. Nossas cabeças não são planilhas e o que interessa realmente, e o que fica, é o que aqueles benefícios vão significar de melhoria em nossa vida. Essa é a informação principal.

Não quero dizer com isso que devemos abolir os números dos discursos e textos, mas dar apenas o suficiente para que o leitor (ou eleitor) tenha uma ideia do assunto. E só.

Mas voltando ao tema proposto. As redes sociais e a política. O que o político precisa saber responder é: essas redes podem realmente me ajudar a alcançar meu objetivo?

A resposta é sim e não.

Sim, as redes sociais estão cada vez influentes na sociedade. As possibilidades nascidas com a tecnologia Web 2.0 ainda estão sendo descobertas, mas as múltiplas interações permitem a emissão de conteúdo multilateral, aliado a capacidade de atingir um público considerável sem a intermediação dos meios “tradicionais”, deve ser levado seriamente em consideração para quem deseja ter sua mensagem disseminada.

Quando estudei teoria da comunicação pela primeira vez, há pouco mais de dez anos, aprendi que a comunicação se completava quando uma mensagem, intermediada por um meio, saia de um emissor e chegava em um receptor sem interferência de ruídos.

Com as novas tecnologias e a chegada das redes isso mudou.

A comunicação ganhou outras possibilidades. A interatividade se dá em tempo real. Geralmente o emissor se transforma imediatamente em receptor e uma mesma mensagem é redirecionada para diversos outros receptores que podem gerar feedback ou retransmiti-las a infinito. Informações boas e ruins se espalham na velocidade do vento.

Por isso a resposta que inicialmente parece ser sim, também pode ser não.

Quem não está disposto a conhecer os meandros das mídias sociais, nem interagir, não deve se aventurar neste universo.

As mídias sociais são apenas ferramentas. Twitter, Facebook, Instagram, Orkut (ele vive), emais, etc, não tem vida própria. Eles se transformam em redes sociais quando um elemento entra em cena, o ser humano. Só as pessoas são capazes de formar redes, e as redes sociais exigem pessoas de verdade, que interajam, que estejam dispostas a receber elogios, mas também receber as críticas (e elas virão), que estejam dispostas a entender e fazer parte deste universo, criando conteúdos atrativos para despertar interesse e gerando interação. Sem esta disposição, fique afastado.

A banda larga e os aparelhos móveis estão conectando rapidamente um grande número de pessoas e esse movimento tende a crescer nos próximos anos.

Em relação ao marketing eleitoral, que é marketing de guerrilha (não o político, que é constante), as mídias tradicionais (televisão, rádio, jornal) ainda são os principais meios de influenciar o eleitor a ser convencido, mas a influência da internet e das redes são fundamentais. Não dá para desprezar.

 José Sales Neto *

José Sales Neto é jornalista, publicitário e pós-graduado em marketing.

Atualmente, ocupa o cargo de secretário-adjunto da Comunicação Social do Governo do Estado de Sergipe

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