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A sensibilidade de Jackson e a vitória dos filhos do povo do sertão

 

ponto de vistaNo Brasil de ontem havia uma lógica perversa que determinava que as maiores oportunidades não deveriam ser para os menores.

Em Sergipe hoje, o trabalho do governador Jackson Barreto tem direcionado atenção prioritária para quem mais necessita. O sertão é testemunha viva.

A luta dos filhos sertanejos pelo ensino superior na sua região teve mais um capítulo feliz. No dia 18 de março, véspera do dia de São José, foi oficializada a implantação do Campus Sertão da Universidade Federal de Sergipe – UFS. A capital do Sertão, Nossa Senhora da Glória, foi a cidade escolhida para sediar mais essa conquista daquele povo forte.

As batalhas foram inúmeras e se iniciaram em 2005. Naquele ano, o anúncio do programa de expansão e interiorização das universidades federais feito pelo Governo Federal fez nascer a primeira esperança. Os glorienses, liderados pelo então vereador Chico do Correio, iniciaram uma campanha e reuniram mais de 40 mil assinaturas em toda a região a fim de mostrar o desejo do povo.

Essa mobilização chegou a impressionar o Presidente Lula quando recebeu as assinaturas em uma de suas visitas ao nosso Estado.  Naquele momento já se sabia que Sergipe seria contemplado com mais um campus, a ser instalado no interior. Contudo, a conjuntura política fez com que Itabaiana fosse agraciada. A capital do Agreste, cidade distante apenas 50 Km da capital, inaugurou em 2006 o campus Prof. Alberto Carvalho.

Apesar da primeira decepção o anseio dos sertanejos se manteve forte, embora adormecido. Na expectativa de serem os próximos, eles foram pegos de surpresa em junho de 2009 com o anúncio da implantação do Campus da Saúde na cidade de Lagarto, Centro-Sul de Sergipe. Contudo, essa notícia reacendeu a mobilização no Sertão.

Dois meses após aquele anúncio aos lagartenses, membros de diversos movimentos sociais organizados sob a liderança do Coletivo da Juventude Campo e Cidade do Alto Sertão ocuparam a reitoria da UFS. Já em setembro de 2009 esse mesmo grupo promoveu uma audiência para discutir o assunto. Dois anos depois, em agosto de 2011, o Coletivo conseguiu reunir cerca de 10 mil pessoas em uma passeata na cidade de Poço Redondo. Essas ações reavivaram os debates sobre o tema na região.

A luta ganhou mais força em abril de 2012. Nesse mês foi anunciado o projeto de implantação do Campus das Engenharias em Estância. Caso fosse concretizado, a região mais distante da capital e que primeiro mobilizou-se para ser contemplado no plano de interiorização da UFS ficaria para trás. O Sertão, que vivia a pior seca dos últimos 30 anos, seria assim esquecido mais uma vez. Entretanto, jovens estudantes sertanejos se mobilizaram no Facebook© a fim de que isso não acontecesse.

Os jovens canindeenses Denisson Salustiano e Erasmo Marinho Filho criaram um grupo que hoje conta com mais de 6 mil integrantes. Em seguida, juntaram-se a eles os jovens monte-alegrenses Eduardo Andrade e Gabino Barros, os poço-redondenses Izabella Oliveira e Carlos Augusto e os glorienses Genisson Podolski, Luiz Carlos e Alexandre Pingo. Ali formou-se uma comissão de liderança com o intuito de unir forças em toda a região.

A partir de então e, seguindo orientações dos reitores da Univasf – Universidade Federal do Vale do São Francisco – e da UFS, buscou-se em todo o estado apoio político em favor do Campus Sertão. Aqueles jovens percorreram gabinetes de deputados, senadores, prefeitos, vereadores e radialistas. Eles foram às escolas da região, às Secretarias de Educação de cada município sertanejo, às rádios e aos jornais. Enfim, fizeram ressoar o assunto nos quatro cantos, do Senado a Assembleia, da capital ao Sertão.

Esse movimento culminou com a realização de uma passeata em Nossa Senhora da Glória em agosto de 2013. Essa passeata foi realizada com o apoio dos prefeitos Chico do Correio, Dr. Albino de Porto da Folha, Tonhão de Monte Alegre e Roberto Araújo de Poço Redondo; dos vereadores Maraysa de Ancelmo e Flávio do PT; do diretor da DRE 09, Prof. Laudson Rezende e demais professores e diretores. Naquela ocasião, cidadãos de todas as idades e classes sociais foram às ruas da cidade em união com as lideranças políticas. Situação e oposição deram as mãos em favor de uma causa maior, o ensino superior na região mais longínqua de Sergipe.

Apenas 26 dias após essa manifestação o Governador Jackson Barreto recebeu uma carta de intenções das mãos do Coletivo da Juventude em uma de suas visitas ao Sertão. Após ter visto a repercussão da passeata nos jornais e compreendido a vontade do povo sertanejo, ele se sensibilizou e realizou junto ao Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, um acordo para implantação da UFS no Sertão.

Assim, após 9 anos de batalhas, o sertanejo pode enfim comemorar. Com recursos do Governo Estadual será construído o Campus Sertão em Nossa Senhora da Glória. O início das aulas está previsto para o 2º semestre de 2015 com os cursos de Zootecnia, Agronomia e Medicina Veterinária. Ao levar ensino superior àquela região, o Governo busca alavancar seu desenvolvimento baseando-se na Educação gratuita e de qualidade.

Contudo, a futura sede do campus ainda luta pela reforma do melhor de seus colégios. O Centro de Excelência Manoel Messias Feitosa, fundado no Governo João Alves com promessas de ser modelo de Educação e funcionando em período integral, encontra-se com infraestrutura comprometida. Ele recebe alunos de todos os municípios do Alto-Sertão e desde aquele governo teve sua reforma iniciada e nunca concluída. Graças ao esforço de alunos e professores, ainda é o que mais aprova em vestibulares na região, atraindo alunos de escolas privadas, inclusive.

O sertanejo, na esperança de ver seu filho doutor no Sertão, também espera ver o Centro de Excelência inteiramente excelente e deposita toda a sua confiança no trabalho do governador Jackson Barreto.

 

Erasmo Marinho Filho

Denisson Santos

*Dois jovens, filhos do sertão, que tomaram a frente na luta pela instalação da UFS em Nossa Senhora da Glória.

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